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Homenagem ao Padre Lourenço Fontes


alt Homenagem ao Padre Lourenço Fontes
O padre Lourenço Fontes foi homenageado pela Associação dos Antigos Alunos do Seminário de Vila Real, durante o convívio anual, realizado no passado sábado.
Todos os anos os ex-seminaristas reúnem-se no terceiro sábado do mês de Maio, aproveitando o momento para homenagearem um dos seus companheiros que se tenha notabilizado quer no seio da associação quer pelo trabalho desenvolvido em prol da sociedade e do país, que o mesmo é também dizer que dignificaram e honraram também a instituição que frequentaram e onde lhes foram transmitido os valores cristãos.
Neste sábado, de manhã, após a recepção dos participantes, D. Amândio, bispo da diocese, pelas 11,30 horas, concelebrou missa, na capela do seminário, a que se seguiu pelas 13 horas o almoço. Após a sobremesa, aconteceu um momento único. O padre Fontes fez uma «queimada», em miniatura, é certo, mas com todos os condimentos, rezas e pragas necessárias a um bom esconjuro. Pelas 16 horas realizou-se a Assembleia geral ordinária, após a qual se prestou homenagem a um sacerdote dos mais conhecidos do país. Foram oradores o Presidente da Câmara de Montalegre, prof. Orlando Alves, e o coronel Dias Vieira. Um e outro falaram do homem, do sacerdote, do jornalista que lançou periódicos e que os aguentou, do teólogo, do sociólogo, do antropólogo, do aventureiro, do empreendedor, do criativo, do contrabandista, do homem que sempre esteve ao lado do povo, ouvindo-o, para lhe perceber os problemas, as queixas, para ajudar aqueles que precisavam de um conselho para as dores do corpo e da alma. Enumeraram-se virtudes, mas também pecadilhos, que o sacerdote não é santo.
"Falar do padre Fontes, é falar do embaixador das «Terras de Barroso», não só em Portugal como também na raia galega", sublinhou o professor Orlando Alves. Foi o padre Fontes quem pôs Montalegre e o Barroso no mapa. Aventureiro, nem sempre medindo o a seguir, lançou-se em projectos que deram resultados: a feira do fumeiro, as queimadas, o campeonato de parapente, a feira do oculto e congressos de Vilar de Perdizes. Falar do padre Fontes é falar do homem teimoso, sem relógio, avesso a regras ou aquele que faz as suas próprias regras, disse o edil, que usou de algum humor para caracterizar a personalidade daquele a quem chamou "ícone de Barroso". Homem de acção e de bondade, mas a quem "não se lhe conhece nenhum milagre", sublinhou.
O coronel Dias Vieira, tocando em muitos aspectos referidos pelo orador anterior, acentuou bem o humanitarismo do padre que, nos tempos de penúria, se preocupava em primeiro lugar pelo bem estar físico, material dos seus fregueses, que o espiritual viria a seguir. "O padre Fontes foi sempre um homem livre por natureza e pela natureza que sempre o rodeou", disse Dias Vieira. E por esta característica se percebe o seu percurso como intelectual, como homem, como sacerdote que enfrentou por mais de uma vez a autoridade eclesiástica a que devia submeter-se, mas que nem sempre aceitou e seguiu. alt
Das mãos do presidente da direcção, dr. José Augusto Branco, recebeu uma placa em madeira, o símbolo da homenagem.
Este convívio continuou e terminou no refeitório, com o valioso contributo musical dos drs Normando Machado e João Teixeira que a solo ou em dueto, cantaram temas do folclore nacional e fados de Coimbra, de que são excelentes vozes.
Ribeiro Aires