Seminario Foto Antiga

Padre João Parente

REAL ACADEMIA GALEGA DE BELLAS ARTES 


Investidura do Padre João Parente


Sábado, pelas 12 horas, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, teve lugar a investidura do Padre João Parente como Académico Correspondente da Real Academia Galega de Belas Artes. Estiveram presentes o Presidente e secretário da Real Academia Galega, o professor catedrático da Universidade de Santiago de Compostela António Rodriguez Colmenero que apadrinhou esta investidura. Presidiu ao acto, apresentado por Elísio Neves, a vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Real, drª Eugénia Almeida.
A 30 de outubro de Outubro de 2012, três académicos, entre eles o professor Comenero, apresentaram «um escrito» ao presidente da Academia, propondo que o padre João Parente representasse a academia no território português, historicamente irmão da Galiza. A proposta de candidatura foi apresentada em sessão de 24 de Novembro de 2012 e aprovada pela assembleia ordinária de 22 de Dezembro seguinte. Na sessão de 31 de outubro de 2015, a citada Academia deliberou celebrar um acto académico de homenagem ao Doutor João Ribeiro Parente, a fim de lhe entregar o diploma e impor-lhe a medalha.
António Rodriguez Colmenero que promoveu esta candidatura, lembrou as afinidades culturais entre os dois territórios contíguos e os seus contactos iniciais com estudiosos da arqueologia e da romanização em Chaves – especialmente João Baptista Martins e Firmino Aires - , e, em Vila Real, o padre João Parente, que considerou como uma figura excepcional e atípica, porque exercendo vários múnus – investigador, historiador, sacerdote e, logo, pároco. Sublinhou o autodidacta, o grande latinista, o especialista em várias temáticas, as tarefas de carácter científico, denominadamente como numismata e como arqueólogo. Citou-o como o autor de um poema heroi-cómico, Seminaríada, e de uma obra de referência, a Idade Média de Vila Real. Não esqueceu o seu papel na constituição do Museu de Arqueologia e de Numismática, um referente na Península Ibérica, sobretudo no estudo da romanização.
Seguiu-se a intervenção do «homenageado» que, levantando-se, como é seu timbre, quando fala, assim o disse, pôs a tónica na palavra "agradecer". Agradeceu ao professor António Rodríguez Colmenero por ser o promotor desta investidura, por o ter guiado em visitas à Galiza com a Universidade Sénior de Vila Real, por ter apresentado o seu livro o Castro de S. Bento. Agradeceu à Real Academia Galega de Bellas Artes pela aceitação e aprovação da proposta apresentada. Agradeceu à actual Câmara de Vila Real por querer sanar injustiças antigas. Agradeceu ao dr. Pires Cabral, a Elísio Neves, ao dr. Varela (que era quem mandava na Câmara, disse) por terem contribuído para organizar o Museu de Arqueologia e Numismática.
O padre João Parente, que já ostenta um título idêntico da Academia Portuguesa de História, elegeu um outro agradecimento naquilo que foi a segunda parte da sua intervenção. Como já em outras alturas o dissera, considerou que a sua obra de investigação foi resultado de acasos que, agora, sublinhou como vontade de Deus. Neste sentido, disse: "Deus quis que eu estudasse latim para poder elaborar a obra sobre a Idade Média de Vila Real; Deus quis que eu encontrasse no Arquivo Distrital de Vila Real os forais da minha terra e que foram o rastilho para eu iniciar a investigação sobre a Idade Média; Deus quis que eu fosse professor no Seminário de Vila Real e o único com carro, tendo por isso, substituído um padre no Pópulo, onde encontrou as primeiras moedas romanas; Deus quis que encontrasse as serpentiformes gravadas nas rochas; Deus quis que tivesse saúde para poder realizar estes trabalhos. E se algum mérito houve em tudo aquilo que fiz a Deus se deve."
E terminou, sublinhando mais uma vez as injustiças de que foi alvo anteriormente, mas que, disse, "hoje sinceramente esqueço".
O Presidente da Real Academia Galega na sua curta intervenção sublinhou que este acto era "um orgulho para todos nós... Temos nele uma fonte importante de sabedoria."
A vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Real fechou esta cerimónia, sublinhando os laços estreitos que unem Vila Real à Galiza, quer na vertente linguística e territorial, quer no desenvolvimento de políticas culturais comuns. Referiu a importância da obra do agora representante da Real Academia Galega.
Durante esta sessão o Padre João foi investido formalmente como membro desta Academia, recebendo o diploma e respectivo colar.
Considerando que este reconhecimento científico teve o aval da Câmara Municipal, estamos convictos que o actual executivo não vai deixar para «outros» a subida honra de atribuir o nome de João Parente ao Museu de Arqueologia e Numismática, até porque está «lá dentro» muito do seu trabalho, do seu saber e do seu dinheiro. E como dizem os espanhóis, vale ?

Ribeiro Aires